
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Domingo de sol em Roma
O motorista de taxi da Comuna di Roma não consegue prever quanto custa a corrida do aeroporto ao Centro. Todo mundo sabe que é mais ou menos sessenta euros, menos ele. Depois, pega as malas e reclama que é taxista e não carregador. Aos poucos , como bom romano, tenta ser simpático, puxa prosa e começa a mostrar os monumentos históricos. Estes estavam deslumbrantes sob o sol da tarde. Luz ideal, bem inclinada, provocando sombras capazes de enlouquecer um fotógrafo que ainda não pôde começar a apertar o botão.


domingo, 20 de dezembro de 2009
Neve em Milão


sábado, 19 de dezembro de 2009
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Aliterações atormentadas me alucinavam
O sonho sabático, sem servir de solução, é simulacro. Sôfrega saída, seguida de sofrida solidão. Ao me ver assim falando, entrevi: algo está por vir. Afinal, Aninha avistava o fim de semana na praia, olhar o mar, remirar, dizia ela. O sonho de partir, deixar tudo para trás, distingui que era meu. Perscrutar novos horizontes, fitar outras paragens. O Brasil dos buenairenses que miravam a bonança brasileira não bastara. Contemplei a comezinha cena caseira. Os filhos crescidos já não precisam mais de mim. O apertado apartamento não acolhe assaz a contento a apartada prole. Mesmo miúda, sempre precisei de espaço. Depois, percebi uma mania de limpeza que só notei aumentar. Ao vislumbrar os primeiros fios brancos, comecei a aplicar henna vermelha, o tom certo para reparar o cabelo das morenas, dizia o anúncio vagamente perlustrado. Vi-me horrorizada, da primeira vez, com as manchas verificadas na toalha e quase arranquei a pia do banheiro de tanto esfregar. Tudo ante o olhar esbugalhado do marido que me espionava. Levei dias lavando as mãos, não conseguia mais espiar cada paciente indo embora, já corria para o lavabo. Depois vieram os frascos de gel bactericida, como se a gripe suína ou algum insuspeito virus me espreitasse o tempo todo. Como psiquiatra, divisei o quadro, comecei a me tratar. Quando pensei avistar luz no fim do túnel, percebi que o mal havia migrado. Aliterações atormentadas me alucinavam. Enxerguei olhares interrogativos, lobriguei um jovem paciente me encarando. Agora chega de repetições, basta, vou voltar ao be-a-bá. Vislumbrar do viciado vernáculo a verdadeira virgindade. Não mais varrer, vacinar, vaticinar, verificar, velar, vozear. Já me vejo a vadiar, vaguear, vacilar, vandalizar, vagabundear. Obrigado, Aninha. Consulta, agora, só no ano que vem. (EM)
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
NOVA ANTIGUIDADE ELETRÔNICA NO MERCADO
O legado de Larry Sultan
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Os Garapa e seu mundo encantado
domingo, 13 de dezembro de 2009
A INVENÇÃO DE UM MUNDO - FIM
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Último kodachrome
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Era o autor de 'Peter Pan' um monstro?
By Michael Dirda, The Washington PostThursday, October 29, 2009NEVERLAND
J.M. Barrie, the Du Mauriers,
and the Dark Side of "Peter Pan"
By Piers Dudgeon
Pegasus. 333 pp. $26.95
There might be scarier books this Halloween season, but it's unlikely that any will be as luridly creepy as "Neverland." Even if you already know a little about the sinister background of J.M. Barrie's classic play, "Peter Pan," you will be in for a shock. In these pages Piers Dudgeon presents a multi-generational history of psychological domination and submission, unnatural family relations, predatory abuse and suicide.
He also connects three great works of the popular imagination: George du Maurier's late-19th-century bestseller "Trilby" -- the novel in which the evil Svengali, through hypnosis, transforms a beautiful tone-deaf girl into a singing sensation but in the process destroys her soul; J.M. Barrie's death-haunted "Peter Pan," once titled "The Boy Who Hated Mothers"; and Daphne du Maurier's Gothic romance about spiritual possession, "Rebecca."
Íntegra no The Washington Post.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Papo no ônibus com Cartier-Bresson

The day I chatted with Cartier-Bresson on the bus
"I'm currently working on a Guardian project about photography, and one of the photographers I had to write about this week was Henri Cartier-Bresson. Looking over the images that this co-founder of Magnum and master of the passing moment had produced in his long lifetime, I found myself thinking two things. First, that he was one of the great modern French artists, whose photographs you can set alongside thepaintings of Pissarro. And second, I remember the day I talked to him on the bus, in Hackney.Well, he wasn't actually on the bus with me. I was interviewing him for a feature and had given him my mobile number. So one of the great artists of the 20th century phoned me when I happened to be on the 55 bus rumbling along Mare Street in east London.Cartier-Bresson wanted to talk because he was outraged that theheirs of Picasso were giving permission to put the master's name on a car. APicasso car was an obscenity, thought Cartier-Bresson, a commercial mockery of art. So he told me as I frantically took notes.He also sent a fax, stating his anger in his own handwriting. On it was his address – he lived on the Rue de Rivoli, next door to the Louvre. Not quite Mare Street after all.Now, looking at this great artist's photographs, I feel a thrill to have chatted with a genius on the bus. As time goes by, art finds its place. Cartier-Bresson's has found a lofty level; he absolutely had the right to speak out on behalf of Picasso, in whose company he belongs."
domingo, 25 de outubro de 2009
sábado, 24 de outubro de 2009
DOROTHEA LANGE SEM CENSURA

DOROTHEA LANGE A Life Beyond Limits By Linda Gordon Illustrated. 536 pp.W. W. Norton & Company. $35
FOX TALBOT VEM AÍ

quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Leilão de fotografias no sábado 24 em SP

7. EDUARDO MUYLAERT
Sem título, da série Pink Paradise, 2008
Metacrilato
Ed. 1/3. 60 x 90 cm
terça-feira, 20 de outubro de 2009
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Super leilão beneficente na segunda, 5

LEILÃO BENEFICENTE PARA DUNCAN LINDSAY
Leilão beneficente “para Duncan”. Idealizado por Arto Lindsay, com o propósito de arrecadar fundos para o tratamento de saúde de seu irmão, Duncan.
Leilão: 05 de outubro de 2009, 21h
Visitação: de 02 a 04 de outubro das 11 às 20h
Local: Rua Oscar Freire, 379 – loja 01, São Paulo - SP, Brasil
Tels: (11) 3062-2333 e 3063-4412 (Manobristas no local)
Catálogo: http://paraduncan.blogspot.com/
Participação dos artistas
Adriana Aranha, André Komatsu, Angelo Venosa, Anna Maria Maiolino, Antonio Dias, Artur Barrio, Artur Lescher, Barrão, Beatriz Milhazes, Bob Wolfenson, Cabelo, Caio Reisewitz, Carlito Carvalhosa, Cildo Meireles, Daniel Senise, Detanico & Lain, Ding Musa, Eduardo Muylaert, Emmanuel Nassar, Ernesto Neto, Evandro Carlos Jardim, Fabio Morais, Jac Leirner, José Damasceno, Leda Catunda, Lenora de Barros, Leya Mira Brander, Luiz Zerbini, Márcia Xavier, Marco Veloso, Marcos Chaves, Maurício Ianês, Miguel Rio Branco, Mira Schendel, Mônica Nador, Nuno Ramos, Paulo Climachauska, Paulo Pasta, Raul Mourão, Renata Lucas, Regina Silveira, Ricardo van Steen, Rivane Neuenschwander, Tatiana Blass, Thiago Rocha Pitta, Tunga e Vik Muniz.
terça-feira, 29 de setembro de 2009
Samir Mesquita, guerrilheiro das letras, na Carta Capital
25/09/2009 14:57:32
Em culturas essencialmente noveleiras, literatura é vanguarda. Não é preciso desmistificar a propalada lenda de que a cidade de Buenos Aires teria mais bibliotecas públicas do que todo o Brasil para saber que a sobrevivência pelas letras nestas paragens é missão para poucos. Que dirá no caso de um autor iniciante que, sem a chancela de best sellers no currículo, topa com a encruzilhada esquizofrênica: como se tornar um deles, se as editoras não lhe derem a primeira oportunidade de publicação? Para Samir Mesquita, de 27 anos, a solução tem sido simples: descortinar caminhos alternativos, próprios, em meio aos padrões viciados do mainstream editorial. Depois do bem-sucedido projeto Dois Palitos, compilação de microcontos vendida, literalmente, em caixas de fósforo, Mesquita colhe os frutos de seu segundo trabalho, 18:30, que, como o título bem sugere, tem como tema a hora do rush. Diferente do formato tradicional de um livro, 18:30 apresenta-se como um mapa desdobrável, com a imagem de uma via pública congestionada. Cada carro parado dá margem a um microconto. Mas o aspecto mais curioso é que, além de estar à venda, o livro também encontra-se “à troca”.
A estratégia extravagante tem a ver menos com a ideia de que um autor pouco conhecido “não vende” do que com a real aceitação de sua condição de escritor em início de carreira – com todas as implicações nela contidas. Mesquita sabe que seu repertório de influências para a literatura que desenvolve, e que o fará evoluir como literato, ainda carece de muitas leituras importantes. “É um jeito de simplificar transações monetárias e de você ajudar na formação deste jovem escritor”, ele argumenta em seu site oficial, onde as trocas devem ser tratadas (para comprar 18:30, só em livrarias). Ali, Mesquita coloca uma lista de livros que lhe interessam trocar por seu 18:30, dos quais constam desde clássicos como A Metamorfose, de Franz Kafka, até obras menos populares como Cantiga de Ninar, de Chuck Palahniuk.
Mesquita lembra também que a decisão de experimentar o esquema de escambo surgiu de uma constatação que fizera na ocasião de seu primeiro projeto editorial, Dois Palitos. “Todo dinheiro que recebia pela venda dele acabava gastando em livros”, recorda. Além disso, intuiu que seria uma forma de estimular as pessoas a visitar sua página. “Essa relação de proximidade e amizade que esse sistema tem me ajudado a construir com os leitores é extremamente instigante”, explica. Até agora, Mesquita já conseguiu, via permutas, cerca de 200 livros, entre os que almejava ter e outros que foram oferecidos sem estar nos planos. Mas ninguém propôs barganhas inconsequentes, como “dois Paulo Coelho” por seu 18:30. “As pessoas são muito generosas comigo. Quando propõem outros livros fora da minha listinha, são ótimos títulos”, ele diz, embora admita ter recebido nesses rolos até tratado de estudo sobre o trânsito.
Mais interessante é que o microcontista é o seu próprio publisher. E, no anterior Dois Palitos, também assinou o “projeto gráfico”, por assim dizer. Todo o processo de produção do livreto fora artesanal: Mesquita comprava as caixas de fósforo, tirava os palitos, colocava o conteúdo e substituía a etiqueta da frente. Original assim, somado ao preço “de capa” a 10 reais, Dois Palitos já vendeu 5,3 mil unidades, número impensável em se tratando de um livro de estreia, ainda mais sem uma grande editora na retaguarda. “E ele foi publicado bem em uma época em que começou a se falar mais sobre microcontos, quando as pessoas passaram a descobrir esse gênero”, avalia. Mesquita visualiza seu interesse nessa microliteratura a partir de uma oficina literária que realizou em 2007 com o escritor Marcelino Freire, grande entusiasta das pílulas literárias. Quando Freire propôs que os alunos produzissem um contículo para a aula seguinte, Mesquita, em uma semana, escreveu cerca de 80 – base do que viria a ser seu Dois Palitos. Só os layouts peculiares das obras têm gerado alguns problemas. A falta de páginas sequenciais de 18:30 inviabilizou que este obtivesse o ISBN, o código internacional de registro dos livros. Do ponto de vista formal, portanto, 18:30 não existe. “Perguntei para a mulher da agência (que fornece o ISBN): ‘Se não é um livro, é o quê?’ E ela respondeu: ‘Não sei, senhor. Desculpe’”.
Questões burocráticas à parte, o estilo telegráfico de Mesquita parece especialmente oportuno nestes tempos em que o poder de síntese, cuja melhor metáfora é a moda do Twitter (microblog de relacionamento), parece superar a tergiversação como sinônimo de comunicação eficiente. Sintomático disso é que muitas editoras, hoje em dia, já não aceitam sequer avaliar originais que ultrapassem um determinado número de páginas. Mesquita – que, ao lado da poetisa Analu Andrigueti, estampou alguns de seus microcontos numa coleção de calcinhas da grife Santo Pecado para o Dia dos Namorados – refuta a tese de que sua microarte seja uma etapa para a literatura convencional. “Não acho que um romance tenha mais valor do que um conto ou até um microconto. Para mim, o valor de uma obra está no quanto ela instiga e desperta novas ideias”, postula. E se muito do tempo que as pessoas lamentam não ter para longas leituras é perdido nos engarrafamentos do trânsito, 18:30 propõe-se justamente a sintetizar angústias e divagações de motoristas na clausura dos carros. Como no microconto em que Mesquita, curitibano radicado em São Paulo, escreve: “O crime: querer seu espaço na cidade grande. A pena: 3 horas de detenção por dia, no mínimo”.