segunda-feira, 30 de junho de 2008
quarta-feira, 11 de junho de 2008
Tirei a roupa
sexta-feira, 6 de junho de 2008
quinta-feira, 5 de junho de 2008
quarta-feira, 4 de junho de 2008
Papo surreal
O mestre do surrealismo quer saber se Tanguy tem modos objetivos de avaliação. A resposta é sim, mas os tais métodos não são revelados.
Raymond Queneau, poeta e escritor, acha que não há como saber se a mulher gozou ou não. Para Jacques Prévert, depende da mulher. Indagado sobre meios objetivos de avaliação, o poeta e compositor responde com quatro sonoros sim, sim, sim, sim. Mas também não esclarece quais são esses métodos.
Benjamin Péret acredita que não há modo objetivo de saber se a mulher gozou. Breton então expõe sua teoria. Só há métodos subjetivos, nos quais se pode confiar na medida em que se tenha confiança na mulher envolvida.
A conversa ocorreu no dia 27 de janeiro de 1928 e foi publicada no numero 11 da revista Revolução Surrealista, de 15 de março de 1928.
O grupo liderado por André Breton organizou doze sessões de discussões livres, denominadas Pesquisas sobre a Sexualidade, entre janeiro de 1928 e agosto de 1932. A íntegra dos diálogos foi publicada pela Gallimard, em 1990. O organizador, José Pierre, anota que é um texto quase teatral, escrito e dirigido por André Breton, então com 32 anos.
Antonin Artaud veio uma vez, assim como Max Ernst. Paul Éluard cinco. Outros como Buñuel, Dali, René Char e Alberto Giacometti, embora bastante interessados nas questões do amor e da sexualidade, não apareceram. Foram 40 personagens ao todo, poucas mulheres.
A segunda sessão, em 31 de janeiro de 1928, contou com Aragon e Man Ray. Este, a certa altura, retomou a discussão seminal. Segundo o fotógrafo, a mulher sente necessariamente o momento exato do gozo do homem. Mas o homem só tem como referência a constatação da lassitude da mulher.
E se essa lassitude é simulada, pergunta Breton?
Pior para a mulher, diz Man Ray. Eu aceito seu jogo.
Expedicionáios de Paranapiacaba
sábado, 24 de maio de 2008
Legítima defesa
O danado se fez passar pelo meu marido. Dizia que tinha encontrado outra mulher e ia sair de casa. Contou que achara o calor que faltava em sua vida. Tinha até recuperado o tesão. Falou que me queria bem e que torcia para eu encontrar de novo a felicidade. Marcou hora para vir buscar as suas coisas, naquela noite mesmo. Resolvi fazer uma bela despedida. Abri uma garrafa de vinho. No segundo copo ele começou a olhar para o meu decote. Daí para chegar na cama foi um pulo. Faz tempo que o maldito não era tão tinhoso. Fizemos coisas que eu nem imaginava ser capaz. Depois, enquanto ele dormia, enfiei-lhe uma faca de cozinha entre as costelas. Achei que tinha me livrado do malvado para sempre. Agora estou aqui nesse inferno. Meu advogado jura que me tira, vai alegar legítima defesa.
(E.M. 05/2008)
domingo, 18 de maio de 2008
Visita de Paulo Henriques Britto
E o autor se fez pessoa.
Paulo Henriques Britto é um carioca que não demonstra os 57 anos que carrega, talvez por viver parte da existência numa esfera distante em que o tempo não corre e onde não existem problemas, só questões a serem propostas e desafiadas. Depois de falar de si e de sua obra com simpatia e desenvoltura, Britto pretendeu-se pouco dotado para ler os próprios textos. Vencida a resistência inicial, começou como que timidamente com o primeiro poema de “Tarde”, sem dúvida uma espécie de confissão:
uma tensão entre a necessidade
de exprimir-se uma subjetividade
numa personalíssima voz lírica
de um sujeito que se inventa e evade,
ao mesmo tempo ressaltando o que há de
falso em si próprio – uma postura cínica,
Paulo Henriques Britto deixou o Colégio Militar do Rio de Janeiro em 1968, auge do período repressivo. Foi parar na Califórnia, onde adquiriu uma segunda língua e se encantou com vanguardas e contestações, sem perder o agudo senso critico.
Começou estudando matemática, tentou cinema e acabou se consagrando como mestre das palavras, tradutor, poeta, contista e professor.
Tem entre seus interlocutores habituais, por correio eletrônico, figuras como John Updike e até mesmo o quase intangível Thomas Pynchon, que não se deixa fotografar e ninguém sabe onde encontrar.
Britto ama Proust e Machado, traduz Byron e adora Drummond, mas não é incondicional de Olavo Bilac. Ironia do destino, compartilha com esse outro carioca, patrono do serviço militar, o nome de seu último livro de poesias. Tarde é obra recente, fruto do convívio com temas maduros e sofridos, como a morte e a doença dos mais velhos.
Figura surpreendente, esse Paulo Henriques Britto. Ao vivo, não se parece em nada com a foto da orelha do livro. Quem o vir na rua, imaginaria uma espécie de técnico de computação, um pouco alheio ao movimento da rua.
Na verdade, Paulo Henriques Britto está sempre computando, a um só tempo completamente desapegado e totalmente conectado ao movimento do universo.
Nessa noite fria de quarta-feira o grande autor, convidado do Marcelino, para nós ganhou voz e virou pessoa.





















